Os cem maiores filmes?

Montar um ranking em critérios puramente subjetivos sempre vai causar alguma polêmica. Afinal, o que torna um livro, uma música, um prato ou um filme melhor ou pior que outros não obedece a padrões de medida de aceitação universal.

Em 2014 a revista norte-americana Hollywood Reporter pediu a um pessoal ligado à indústria do cinema (leia-se estúdios de Hollywood) para indicar quais seriam os melhores de todos os tempos. Da subjetividade conjunta desse povo saiu a lista de cem, publicada pela revista. Você poderia buscar no Google mas facilito tua vida com o link http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-108039/, do site da Adoro Cinema.

Seria de esperar que os filmes produzidos nos Estados Unidos fossem maioria. Mas, vamos ser sinceros, os caras exageraram. É verdade que tem vários filmes britânicos ali, mas apenas três filmes não produzidos na língua inglesa integram o ranking: um francês, um mexicano e um japonês. Por sinal, o filme japonês, Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, gerou um western em 1960 e acaba de ganhar uma refilmagem, ambas com o título Sete Homens e Um Destino.

Dos cem listados ali, assisti a cinquenta e sete. O percentual aumenta se eu considerar os dez primeiros: vi sete. Doze entre os quinze primeiros. Não vi Cidadão Kane, Pulp Fiction e a Lista de Schindler. Desses, só não tenho vontade de ver o filme de Tarantino. Levando em conta os quarenta e três dos que eu não assisti, tenho curiosidade de assistir a doze. Não vou fazer uma avaliação de cinéfilo da lista; deixo isso para o meu amigo Matheus Rosar se tiver tempo ou paciência, mas quero dar uns pitacos aqui e ali.

Voltando a falar da americanice da lista, é óbvio que se cometem grandes injustiças fazendo um ranking de cem filmes contendo noventa e sete filmes em inglês. Há alguns excelentes diretores e bons filmes deixados de fora. Onde está Almodóvar, não é mesmo Grégori? Poderia ser Fale com Ela ou Tudo sobre minha mãe. Ou mesmo o tenso A má educação ou o leve Mulheres à beira de um ataque de nervos. Por falar de um leve, agora alemão, Adeus, Lenin, que eu acho ótimo poderia figurar, já que a lista tem Banzé no Oeste, por exemplo. Nenhum italiano e sem pensar muito já lembro de Ladrões de bicicleta, Cinema Paradiso e A vida é bela. Um belíssimo dinamarquês, Festa de Babette, ou algum sueco do Bergman, sem contar Ran, do Kurosawa (está bem, o japonês já está na lista, mas Ran é épico!). Para pachecar um pouco, poderia ter ali Central do Brasil ou Cidade de Deus, sei lá. Eu amo Lisbela e o prisioneiro, mas aí seria forçar a amizade, hehehe.

A lista não tem só estrangeiros esquecidos. Achei que alguns filmes produzidos nos EUA ou falados em inglês poderiam estar ali. Me lembrando novamente do amigo Grégori, há aquele que é, pra mim, O filme da Angelina Jolie, A Troca, dirigido pelo grande Clint Eastwood. Dois filmes de temática parecida, histórias bem diferentes, mas ambos me prenderam do começo ao fim: Crash, no limite e Babel. Há também A Cor púrpura, de Steven Spielberg, com um elenco negro fantástico. Falou-se muito esse ano que os negros não têm vez em Hollywood (acho que não é só lá), mas esse filme tem Whoopi Goldberg no protagonismo, Danny Glover de coadjuvante, Oprah Winfrey e outros, e é uma história linda, tocante, que precisava figurar entre as cem. Por fim, se os ótimos Clube dos cinco e Curtindo a vida adoidado estão ali, deveria estar também Sociedade dos Poetas Mortos, porque igualmente demarca território de gerações.

Para falar das animações, as da lista são todas maravilhosas, mas senti falta do meu filme de animação preferido: Vida de Inseto.

O legal de uma lista assim é que a gente reencontra nossas preferências e acaba por se lembrar o que agradou nesse ou naquele filme, qual são nossas obras prediletas, nossos atores e atrizes preferidos, aquelas cenas marcantes e até mesmo lembranças associadas, do tipo, as circunstâncias e as companhias em que assisti a tal filme. Renderiam horas de conversa com amigos que curtem cinema. Além de dar vontade de ver mais filmes. Mas, eu recomendo, pelo menos uns cinquenta desses filmes. Diversão garantida.7929376948

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Dia da poesia

Um tweet do Liverpool, o time de futebol, me fez saber sobre o National Poetry Day. Fui pesquisar e descobri que, em vez de uma data comemorativa fixa, é um evento anual realizado na Inglaterra, sob coordenação da Forward Arts Foudantion, uma espécie de ONG que tem por objetivo ampliar o interesse do público na poesia. Desde 1994 eles realizam o tal evento, cheio de atividades públicas, envolvendo a sociedade em geral. Achei muito legal.

Claro que a curiosidade seguinte foi ver se há um “Dia da Poesia” no Brasil. Na verdade, como tem dia para tudo, eu já estava certo que teríamos um dia nacional de poesia, só me faltava saber quando. Descobri que até 2014 era dia 21 de março, coincidindo com o aniversário natalício de Castro Alves. Um decreto mudou para 31 de outubro, natalício de Carlos Drummond de Andrade. Difícil saber porque Drummond em vez de Castro Alves, mas, vá lá, pouco importa. Os dois são poetas fantásticos.

Daí me lembrei que um conterrâneo meu, Guilherme de Almeida (1890-1969), era conhecido como o príncipe dos poetas brasileiros. Eu já sabia disso quando fiz o colegial (nome ancestral do ensino médio) no colégio Culto à Ciência, em Campinas, mas fiquei empolgado que Guilherme de Almeida também estudara lá. Havia uma placa na sala de aula em que ele estudou. Foi na sala em que cursei o terceiro ano. A Dança das Horas é meu poema preferido deste que, embora chamado príncipe dos poetas, não é tão conhecido quanto outros.

De Castro Alves tem Adormecida: “Uma noite, eu me lembro, ela dormia numa rede encostada molemente … quase aberto o roupão, solto o cabelo, e os pés descalços do tapete rente” e por aí vai. Amo o ritmo desses versos. Desenham a cena tanto quanto as palavras do poeta que foi o expoente do romantismo brasileiro.

Quando falam de Drummond, as primeiras palavras que me vêm à mente são “mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”, que fazem parte do Poema de Sete Faces.

Não são brasileiros, mas não poderiam ficar de fora porque gênios da língua portuguesa e poetas por definição: Camões e Pessoa. “O amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói; e não se sente”, é um trecho de um soneto de Camões, que muita gente deve ter ouvido pela primeira vez na canção da Legião Urbana, Monte Castelo. “O poeta é um fingidor que finge tão completamente, que às vezes finge que é dor a dor que deveras sente”. Isso é Fernando Pessoa, no verso que eu mais gosto na língua portuguesa.

Não pretendo fazer uma lista exaustiva, até porque me faltaria espaço. Deve haver muitas antologias por aí contendo lindas poesias. Sem contar que, muitos de nós, em algum momento de nossas vidas, arriscamos alguns versos. Eu mesmo cometi essa ousadia e aqui no blog estão algumas delas.

Poesia é uma linda manifestação da arte escrita. É a possibilidade, como escreveu Pessoa, de fingir-se o que de fato é ou descobrir-se diferente do que imaginava ser. Há para todos os gostos e estilos. Você deve ter o seu, certamente. Daí a coisa legal do evento britânico: cada um pode manifestar a poesia como desejar: escrevendo, recitando, lendo. O importante é celebrar a poesia.

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Gente e bicho

Vi um post outro dia que refletiu um pouco o que penso sobre o pessoal que insiste em dizer que “quanto mais conhece as pessoas mais gosta de seu cachorro”, ou coisa parecida. O texto cobra tratamento igual: “Trate cada um como Deus trataria”, diz o post, “cada um tem o seu valor”. Ou seja, trate bem os animais, mas trate bem os seres humanos também. Mas a tirada melhor foi: “Gente que evita contato com ser humano não gosta de ser confrontado”.

Faz tempo que penso que os que dizem preferir bicho a gente são pessoas que perderam a fé nelas mesmas, antes que nos outros humanos. É claro que os animais, os cães principalmente, têm a fidelidade entre as principais características. Mas isso é puro instinto, não é escolha intelectual, esclarecida, decidia à base de avaliações de aspectos objetivos e subjetivos. É assim porque esses animais foram criados com essa capacidade e, no exercício dela, fazem coisas fantásticas, como aquele caso do cão que continuou indo à estação ferroviária anos a fio esperar por seu dono, que já havia falecido.

O “problema”, é que o ser humano não tem instinto. Tem intelecto, consciência, livre-arbítrio e um conceito muito particular sobre fidelidade e lealdade. Então, se eu tenho expectativas sobre alguma pessoa em determinado assunto e essas não são atingidas, pode ser que eu me sinta ferido e traído, crendo que os seres humanos são incapazes de qualquer ato de lealdade. Se eu bato o pé para o cachorro sair daqui porque me incomoda e, segundos depois vou lhe fazer um afago e ele corresponde, aí está a “prova máxima” de que eles são amigos fiéis. Experimente fazer o mesmo com um desses insensíveis seres humanos.

Tem algo muito errado na maneira dessa gente pensar e o nome disso é egocentrismo. Sim, isso aí. O “eu” como o centro do tudo. É o modo como os bichos tratam a mim (pronome pessoal, primeira pessoa no singular, equivalente a eu) e como os humanos deixam de fazê-lo. Eu, eu, eu. Assim, cabe a pergunta: o que eu (de novo) estou disposto a fazer pelo ser humano? O quanto eu me esforço para ser a meu próximo mais que um estranho bicho que cruza pelas ruas sem sequer me dignar a desejar-lhe um bom dia? Por que sempre o próximo é obrigado a tomar a iniciativa das gentilezas, das lealdades, das integridades? Por que meu comportamento precisa ser sempre apenas reativo? Sim, porque se eu espero que os outros me perdoem para que eu possa perdoá-los, isso é ser reativo.

Ou seja, volto ao que afirmei no início do texto. Quem desistiu do outro humano, desistiu antes de tudo de si mesmo, porque desencontrou-se de sua capacidade de se relacionar com outros seres racionais. Para sua própria justificativa, fia-se dos muitos atos irracionais praticados pelas outras gentes, principalmente aqueles que desapontaram a si. Só que, citando John Donne, “nenhum homem é uma ilha, completo em si próprio; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo.” Destarte, precisamos dos seres pensantes para completar aquilo que falta em nós mesmos, precisamos de gente para nos dizer onde acertamos e onde erramos. Talvez, seja pela falta de falar de verdade com gente é que a humanidade esteja errando tanto e virando bicho. E se gente vira bicho, logo alguém faz dos bichos sua gente.

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Escrevendo

Faz mais ou menos um ano que a Alice me disse, via Face: “volte a escrever com regularidade”. Eu disse a ela que sou muito preguiçoso. E sou mesmo. O que não significa que eu não queira escrever, que não goste de escrever. Várias vezes surgem situações, ideias, assuntos e quetais que me fazem pensar: “vou escrever sobre isso”. Daí rascunho mentalmente aquilo que gostaria de escrever e então, bem, então ele fica ali no mental, acaba se sumindo da memória e não vem pro blog. Alguns não somem por completo, ficam ali, zanzando a mente e o teclado. Esse post mesmo, já tem vários meses que está por aqui, ameaçando sair.

Quando estava na escola me saía muito bem em redação. Houve um breve período em que escrevi poemas (ou algo pretendendo ser poesia). Tenho dois caderninhos com poesias e de vez em quando posto por aqui. Mas, voltando ao tempo da escola, dissertação era meu forte, mais do que criar histórias ou crônicas. Até hoje é assim. Leio com que facilidade a Alice ou o Ubirajara arrancam do cotidiano acontecimentos e escrevem belas crônicas.Fico admirado com a facilidade do amigo Orival em contar casos (uma hora dessas farei um post sobre seu livro). Não é pra mim. De vez em quando me arrisco nessas áreas, mas, ainda me sinto mais confortável dissertando, opinando ou expondo o que penso. Isso posto, vem sempre a preocupação com as palavras, benditas palavras, para que as ideias expressas sejam o mais próximo possível daquilo que eu realmente quero dizer. Quem me conhece bem sabe o quanto me sobressalta a possibilidade de ser mal entendido, de dizerem que eu quis dizer algo que na verdade não quis. E, você sabe amigo que, depois que está escrito e alguém leu, já era. Daí um certo preciosismo ou, pura nerdice, para usar um neologismo.

O processo de escrever é uma coisa divertida, por isso eu deveria mesmo escrever com mais regularidade. É divertido ficar brincando com as ideias que vão surgindo a cada frase e parágrafo. Parto de um esboço mental mas é no correr da digitação (muito raramente escrevo à mão) que a coisa vai se formando. Acho que isso é a coisa mais natural do mundo. Deve ser assim para todos, mas é o que eu acho divertido no ato de escrever. Mesmo quando tive de escrever textos para trabalhos escolares era assim que funcionava. O fluxo da escrita era algo de momento. Para eu poder escrever algo, mais do que pensar o assunto, esboçar mentalmente o texto, preciso sentar-me a começar a escrever. As referências vêm surgindo, as conexões vão se fazendo, umas palavras chegam outras saem. Dicionário sempre por perto, porque acho ultrajante escrever errado (olha a nerdice aí de novo). Antes de publicar aquela revisada básica, para ver se está tudo de acordo.

Sem falsa modéstia, gosto do que escrevo. Não me acho sensacional, inigualável ou o maioral, mas sei que consigo construir o texto de forma lógica e coerente. Quem lê não precisa concordar comigo mas entende bem o que eu quis dizer. Meus texto têm também um ritmo que eu não considero cansativo, embora alguns assuntos eu consiga tratar com mais leveza e até mesmo algum humor, enquanto outros são um pouco mais sisudos. Me agrada pensar que escrevo um tanto como falo, porque isso me faz crer que quem está lendo tem a possibilidade de me escutar. Talvez pudesse até mesmo dialogar comigo, estivéssemos em um chat.  Na verdade é isso mesmo que eu quero. Conversar comigo mesmo e com os que têm a curiosidade de ler aquilo que eu escrevi. Por isso, talvez não com a frequência que a Alice me cobrou, seguirei escrevendo. A você, que chegou até aqui, obrigado e até a próxima.

 

 

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Inquietação (ou não-estar)

Hoje, como nos outros dias, todos os dias, ele acalenta aquela vontade inquieta de não-estar onde se está, acompanhada da certeza, ou da dúvida (qual seria?) de que, onde quer que se estivesse a vontade seria a mesma.

Chega à conclusão (sem que se julgue genial por isso), de que o problema não é onde se está e sim quem está. Esse sentimento de estar no lugar errado, de querer não-estar, pensa, só pode ser fruto de uma mente incomodada, sem rumo, sem ambições, sem quereres e com saberes difusos. Difusos e mesquinhos. Poderia significar inquietação por alcançar lugares ou estares mais afeitas à sua personalidade, mas não, não é o caso. Quer-se apenas não-estar.

Não-estar não significa não-ser. Quer ser. Viver, sentir, observar; quer apenas não-estar. Ou não quer os efeitos colaterais do estar, premido pelo tempo e pelas responsabilidades de onde quer que se esteja. Anseia por uma liberdade de ser no não-estar, sem obrigações – viver apenas, ainda que por um ínfimo momento, desfrutando o que imagina ser liberdade. Mesmo que signifique estar, de algum modo, em algum lugar.

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A vida segue

Um casal maduro passeia
De mãos dadas,  jovens namorados
Maduras mãos, jovens gestos
O romance perdura.
Corações aquecidos, não requentados
Há sempre a nobreza do afeto
O carinho do elogio
A certeza da caminhada matinal
O compromisso se renova
Em cada sorriso meigo
Todos os dias se amam
Não no corpo, que
Folha outonal, caduca
Mas no coração
Ah! O sempre-verde coração
Abastece de beleza o maduro amor,
Que, tranquilo, passeia de mãos dadas.

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Conjecturas matinais

Um dos pontos altos da vida corporativa cotidiana é o aroma do café sendo passado. Sim, aqui na “firma” ainda tem a copeira que passa o café de manhã e nos dá a oportunidade de viajar pela delícia olfativa do café coado. Coado ou passado, porque passa pelo coador, certo?

Não sei se já fizeram uma lista classificando os melhores aromas. Devem ter feito, porque existe lista para tudo nesse mundo. Na minha lista pessoal, se eu a tivesse, o café estaria no topo. Café sendo torrado, café sendo moído e café sendo passado são aromas inconfundíveis e inesquecíveis. Paradisíacos e afrodisíacos (ops, exagerei). O prazer do aroma supera àquele sentido ao sorver uma boa xícara dessa bebida que é apreciada em todos os cantos do planeta. Cada canto a seu modo, é verdade.

Os artistas do café são chamados de baristas, especializados em preparar cafés de alta qualidade. Fiquei sabendo que há até mesmo um campeonato mundial de baristas. O campeão de 2015 foi um australiano de sobrenome sérvio. Fui olhar a etimologia (origem da palavra) e descobri que barista vem do italiano para a pessoa que atende em um bar. Daí me lembrei que os italianos são experts em café expresso, outra maravilha no universo do café.

Como a mente da gente vai se jogando de ideia em ideia, não pude deixar de lembrar das fazendas de café do sul de Minas, de ver muitas vezes o café secando nos terreiros após a “panha”. Que dessas fazendas o Brasil uma vez foi cheio. O café foi o carro chefe das exportações tupiniquins durante muitas décadas, certamente mais de um século.

Me lembro que, antes de o merchandising tomar conta do futebol mundial, o IBC (Instituto Brasileiro do Café, sepulto na era Collor) resolveu patrocinar a CBF, ou seria a CBD? Não importa. O caso é que o IBC resolveu patrocinar o futebol brasileiro, estampando um raminho de café na camisa junto ao escudo da confederação. Ficou um charme e unia duas instituições brasileiras: o futebol e o café. O tempo passou, o café colombiano ultrapassou o brasileiro no comércio internacional e o futebol…, bem, o futebol…, eu estava falando de café.

As modernidades da vida trouxeram o café solúvel, as cafeteiras elétricas, as máquinas caseiras de café expresso, a Starbrucks (dizem que é fantástica), mas permanecem inalteradas as predileções pelo aroma do café coado. Ou passado, como queira. Pergunte por aí e ouvirá dez entre dez tomadores de café que o aroma do café sendo passado é melhor que o sabor do próprio café. E olha que tomamos café mesmo, com gosto. Muito melhor do que jogamos futebol. Pelo menos atualmente.

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